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terça-feira, 18 de junho de 2013

Empresas boas de bola: 5 exemplos de como a gestão profissional pode transformar o futebol brasileiro.






Crescemos ouvindo a todo instante que o futebol é uma paixão nacional. Desde muito pequenos somos uniformizados com as cores do time do coração de nossos pais e levados aos estádios para acompanhar de perto as glórias, e também as derrotas, do referido clube.

Porém nos últimos tempos temos visto nas colunas esportivas notícias que vão além do esporte em si, suspendendo o véu do espetáculo e revelando as entranhas dos principais times brasileiros. Estes, até hoje, em sua maioria, possuem uma gestão amadora, sofrem influências políticas internas e externas e, até mesmo, são redutos de determinados clãs familiares. Por conta desses fatores essas entidades se viram em apuros para honrar seus compromissos e conseguir manter o seu negócio principal que é o futebol. Mas será que há solução para o esporte no país da Copa do Mundo 2014?

A seguir são elencados 5 exemplos de práticas de gestão, já implantadas por alguns clubes, que podem servir de modelo para todos.

1.       Planejamento estratégico de longo prazo: a troca de comando dos times faz com que, na maior parte das vezes, toda a estratégia definida pela administração anterior seja jogada por água abaixo às vezes por interesses financeiros, políticos, busca de resultados de curto prazo ou mesmo por questões de vaidade pessoal da nova gestão. A definição de um planejamento de longo prazo vincularia o novo gestor aos objetivos e metas definidos pela administração anterior e aprovados em conselho, fazendo com que, por exemplo, haja um fortalecimento das categorias de base para formar jogadores no futuro, metas financeiras e de rentabilidade para a formação de parcerias com patrocinadores e mesmo a renegociação de contratos de direitos televisivos junto com os outros times que partilham dessa receita. Tudo isso, acredita-se, consolidaria os resultados do time em campo.
2.       Transparência financeira: muito se ouve falar na figura do sócio torcedor. O sócio torcedor é aquele que paga uma quantia mensal ao clube para ajudar financeiramente a entidade e obter determinadas regalias, como lugares exclusivos nos estádios, preferência na compra de ingressos etc. Podemos então comparar esse indivíduo como um investidor do clube, visto que a renda gerada por ele visa também à melhoria do desempenho do clube em campo. Nada mais justo para esse investidor que, como acontece no mercado financeiro, haja um acesso transparente e irrestrito às finanças da empresa por ele investida, com a publicação de balanços e relatórios de gestão trimestrais discriminando a origem das receitas, o destino das despesas e o que os gestores da “companhia” pensam para o futuro no sentido de manter ou melhorar o cenário apresentado.
3.       Executivos profissionais: a contratação dessa figura faz-se necessária para afastar o amadorismo da gestão dos grandes clubes. A falta de uma gestão profissional não só desperta a desconfiança dos sócios torcedores e possíveis investidores como a de entidades financiadoras de projetos de estádios, por exemplo. De acordo com fontes ligadas às empreiteiras pleiteantes de financiamentos junto ao BNDES para os novos estádios dos clubes uma das grandes preocupações do Banco era o quanto a diretoria do clube poderia interferir na administração dos estádios e, consequentemente, na sua geração de receita para a quitação do financiamento.
4.       Conselho de administração: numa empresa de mercado o conselho de administração é a representação dos diversos sócios no comando da companhia. Num clube de futebol há conselheiros, porém, na maior parte das vezes, esse conselho diretivo serve para articulações políticas abrigando um sem número de conselheiros (o conselho do Santos já chegou a ter duzentos deles) o que gera morosidade e burocracia para a tomada de decisão, o que não é benéfico para nenhuma empresa. O novo modelo propõe um conselho de administração enxuto e formado por torcedores que tenham notável conhecimento em diversas áreas inerentes à atividade do time.
5.       Análise estatística: a todo instante vemos nos noticiários transações milionárias envolvendo jogadores de futebol. Creio que muitos se questionam como esses valores são definidos e, principalmente, se haverá o necessário retorno financeiro para o clube. Diante da necessidade de tomar decisões de investimento pensando no retorno financeiro, e não somente na possibilidade de ter um jogador famoso pelo bom desempenho, os times vêm utilizando análises estatísticas no sentido de descobrir jogadores que venham apresentando uma boa performance, de acordo com índices pré-definidos, ainda desconhecidos e, consequentemente, “sub” valorizados. Dessa maneira ao invés de disputar o passe de um jogador famoso com outros clubes e ter que desembolsar alguns milhões, o time contrata um jogador com o passe ainda na casa dos milhares que, estatisticamente, contribuirá de forma positiva com o desempenho do clube em campo.
Depois de presenciarmos a crise que grandes clubes como o Flamengo e o Vasco viveram (e ainda estão vivendo) a luz amarela foi acesa. O futebol brasileiro, conhecido mundialmente, não tolera mais o amadorismo e é patente que a atuação dos times no gramado está diretamente ligada à sua gestão fora dele.

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