Crescemos ouvindo a todo instante que o futebol é uma paixão nacional. Desde muito pequenos somos uniformizados com as cores do time do coração de nossos pais e levados aos estádios para acompanhar de perto as glórias, e também as derrotas, do referido clube.
Porém nos últimos tempos temos
visto nas colunas esportivas notícias que vão além do esporte em si,
suspendendo o véu do espetáculo e revelando as entranhas dos principais times
brasileiros. Estes, até hoje, em sua maioria, possuem uma gestão amadora, sofrem
influências políticas internas e externas e, até mesmo, são redutos de
determinados clãs familiares. Por conta desses fatores essas entidades se viram
em apuros para honrar seus compromissos e conseguir manter o seu negócio
principal que é o futebol. Mas será que há solução para o esporte no país da
Copa do Mundo 2014?
A seguir são elencados 5 exemplos
de práticas de gestão, já implantadas por alguns clubes, que podem servir de
modelo para todos.
1. Planejamento
estratégico de longo prazo: a troca de comando dos times faz com que, na maior
parte das vezes, toda a estratégia definida pela administração anterior seja
jogada por água abaixo às vezes por interesses financeiros, políticos, busca de
resultados de curto prazo ou mesmo por questões de vaidade pessoal da nova
gestão. A definição de um planejamento de longo prazo vincularia o novo gestor
aos objetivos e metas definidos pela administração anterior e aprovados em
conselho, fazendo com que, por exemplo, haja um fortalecimento das categorias
de base para formar jogadores no futuro, metas financeiras e de rentabilidade
para a formação de parcerias com patrocinadores e mesmo a renegociação de contratos
de direitos televisivos junto com os outros times que partilham dessa receita.
Tudo isso, acredita-se, consolidaria os resultados do time em campo.
2. Transparência
financeira: muito se ouve falar na figura do sócio torcedor. O sócio torcedor é
aquele que paga uma quantia mensal ao clube para ajudar financeiramente a
entidade e obter determinadas regalias, como lugares exclusivos nos estádios,
preferência na compra de ingressos etc. Podemos então comparar esse indivíduo
como um investidor do clube, visto que a renda gerada por ele visa também à
melhoria do desempenho do clube em campo. Nada mais justo para esse investidor
que, como acontece no mercado financeiro, haja um acesso transparente e irrestrito
às finanças da empresa por ele investida, com a publicação de balanços e
relatórios de gestão trimestrais discriminando a origem das receitas, o destino
das despesas e o que os gestores da “companhia” pensam para o futuro no sentido
de manter ou melhorar o cenário apresentado.
3. Executivos
profissionais: a contratação dessa figura faz-se necessária para afastar o
amadorismo da gestão dos grandes clubes. A falta de uma gestão profissional não
só desperta a desconfiança dos sócios torcedores e possíveis investidores como
a de entidades financiadoras de projetos de estádios, por exemplo. De acordo
com fontes ligadas às empreiteiras pleiteantes de financiamentos junto ao BNDES
para os novos estádios dos clubes uma das grandes preocupações do Banco era o
quanto a diretoria do clube poderia interferir na administração dos estádios e,
consequentemente, na sua geração de receita para a quitação do financiamento.
4. Conselho
de administração: numa empresa de mercado o conselho de administração é a
representação dos diversos sócios no comando da companhia. Num clube de futebol
há conselheiros, porém, na maior parte das vezes, esse conselho diretivo serve
para articulações políticas abrigando um sem número de conselheiros (o conselho
do Santos já chegou a ter duzentos deles) o que gera morosidade e burocracia
para a tomada de decisão, o que não é benéfico para nenhuma empresa. O novo
modelo propõe um conselho de administração enxuto e formado por torcedores que
tenham notável conhecimento em diversas áreas inerentes à atividade do time.
5. Análise
estatística: a todo instante vemos nos noticiários transações milionárias
envolvendo jogadores de futebol. Creio que muitos se questionam como esses
valores são definidos e, principalmente, se haverá o necessário retorno
financeiro para o clube. Diante da necessidade de tomar decisões de
investimento pensando no retorno financeiro, e não somente na possibilidade de
ter um jogador famoso pelo bom desempenho, os times vêm utilizando análises
estatísticas no sentido de descobrir jogadores que venham apresentando uma boa performance,
de acordo com índices pré-definidos, ainda desconhecidos e, consequentemente, “sub”
valorizados. Dessa maneira ao invés de disputar o passe de um jogador famoso
com outros clubes e ter que desembolsar alguns milhões, o time contrata um
jogador com o passe ainda na casa dos milhares que, estatisticamente,
contribuirá de forma positiva com o desempenho do clube em campo.
Depois de presenciarmos a crise
que grandes clubes como o Flamengo e o Vasco viveram (e ainda estão vivendo) a
luz amarela foi acesa. O futebol brasileiro, conhecido mundialmente, não tolera
mais o amadorismo e é patente que a atuação dos times no gramado está
diretamente ligada à sua gestão fora dele.
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